domingo, 18 de julho de 2010

**

Talvez ele não estivesse preparado.
O tipo de descoberta feito na porta do avião, 27 mil pés (8.200 metros) acima do chão. Chão que sempre lhe deu conforto. Nunca o concreto havia sido tão confortável. 

Pulou. 
Deixou-se levar. O corpo ficou leve.
As construções crescendo lentamente na eternidade da queda. 
Pode pensar na vida. 
Em paz, pode pensar nela. Nos momentos do passado, daqueles em que uma simples frase se tornava um gracejo feliz.
O sussurro das árvores chamava ele para mais perto, e o céu o seguia durante a caída.
O tempo sem esperança que ela sempre deu agora era uma possibilidade. Opção com cara esborrachada, mas o simples talvez lhe dava felicidade.

Os prédios agora estavam maiores. 
Todas aquelas músicas lindas vinham à mente.
A felicidade balançava no ar. Como a esperança que, ele sim, sempre teve para os dois.







**
**

Z: Vamo embora, vai chover.
Cl: Claro que não, olha lá perto daquela ilhazinha como o sol tá laranja ainda.
Z: Mas a tia Vera já chamou uma vez.
J: Minha mãe é uma chata, ela vai gritar da janela mais 40 vezes.
Cm: Se fosse a tia Tina a gente ficava aqui até de madrugada.
Z: Meio perigoso a gente ir sozinho depois...
J: O Léo tá jogando futebol com os moleques ainda, com aquele tamanho ninguém vai mexer com a gente.
Cl: Fora que é uma quadra só, seu chato.
Z: Vou falar pra mamãe que você me chamou de chato!
Cl: Pode falar, ela tá a 100km daqui mesmo...
Cm: Primo, pode ir lá com os moleques que eu ainda tenho que ensinar sua irmã a dar estrela.
J: Como você não sabe dar estrela ainda?
Cl: Eu odeio as aulas de ginástica no colégio. Mas aqui na areia parece ser mais fácil...
Z: Desiste, vocês ficaram ontem tentando até oito da noite e sua perna ainda dobra. E você ainda cai.
Cl: Não tava jogando bola com os meninos não, ow chato?
Cm: Relaxa, a gente ainda tem mais 8 dias de férias. Um dia ela aprende.
J: Vocês tão todos imundos, vamo pra casa, vai.  Cansei de ser babá já.
Cl: OK, mas eu não sou a primeira a tomar banho! Você vai primeiro.
Cm: Hey, a gente tinha combinado que era dia sim dia não.
Cl: Hoje é dia não.
J: Vamos porque a gente tem que arrumar os colchões na sala antes de sair pra ferinha.
Z: Isso se a chuva não atrapalhar...




**

sábado, 17 de julho de 2010

For no one, just for me.

**

"Eu gostaria de fazer uma lista dos cinco melhores discos que não te façam sentir nada (...).

Quando cheguei em casa, pensei em colocar algo dos Beatles. Com certeza Abbey Road, e pensando bem programo o toca-CD para pular Something.
The Beatles significa abrir os desenhos que vinham no chiclete, ou ver Help num sábado pela manhã no cinema do bairro, e aquelas guitarras de brinquedo que eu usava para cantar Yellow Submarine com voz esganiçada nas excursões de colégio - sempre sentado no último banco do ônibus.

São sensações que pertecem somente a mim, que não pertencem nem a "Laura e eu", nem a "Charlie e eu", nem a "Alison Ashworth e eu".

Mesmo que essas sensações me façam sentir alguma coisa, pelo menos não será nenhum sentimento ruim."

(High Fidelity, ainda Hornby - traduzido e adaptado por mim mesma)





**

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Música é cor e nuvem

**

"Because music, like color, or a cloud, is neither intelligent nor unintelligent - it just is. The chord, the simplest building block for even the tritest, silliest chart song, is a beautiful, perfect, mysterious thing, and when an ill-read, uneducated, uncultured, emotionally illiterate boor puts a couple of them together, he has every chance of creating something wonderful and powerful. 
All I ask of music is that is sounds good."
Nick Hornby Songbook



Onda amarela,
onde dois corpos balançam como guitarra no primeiro acorde
(Ser a parte menor dos dois corpos é bom porque podemos ser totalmente absorvidas pelos longos braços)


Dar nome pra pinta,
rir quando descobre o que diabos é "beatin 'round the bush"
cantar imitando cada sílaba do refrão
e depois gargalhar de pernas pra cima.

Let´s love.
Sugar.