sexta-feira, 25 de junho de 2010

Em caso de persistência desses sintomas um médico definitivamente deverá ser consultado.

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Oito horas de jejum para tirar sangue amanhã,
(oito horas diz a prescrição)
mas o jejum permanece intacto,
desde ontem, 
anteontem,
ante-ante-ontem.

Ok, o sangue será examinado.


(Borracha, aperto, 
picada aguda de um Si estridente. 
E vejo o sangue, que sai da veia. 
Congelado)  


Mas, nessas condições, descarte o laboratório!
É mais simples olhar nos meus olhos (mais simples, e nao mais fácil)
ou veja minha bochecha, rosada de uma vergonha que talvez não devesse sentir.
Senhorita Enfermeira, esqueça a bula! Os óculos de leitura!
Que aqui as letras são garrafais. 






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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Coração Coroado

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Agora tudo que é sentido, visto e pensado é dominado por difíceis e tolos temas
Temas preocupantes
Preocupações que são consoladas por frases feitas
Frases que nem entram na cabeça, pois esta está mais concentrada em afundar embaixo da terra e


SU-MIR!!!





Mas estou em Paris.
Paris com dia cinza e igreja branca
Igreja lá em cima, a cansativos degraus que esperam meu ânimo voltar
Caminhos brancos com vista-a-perder-de-vista.

Sentada em um banco perto de um carrosel
Vejo crianças sonhando enquanto cavalgam seus cavalos alados calados
Calados que sobem e descem, acompanhando a música
Música que traz calor e deixa o dia mais azul esverdiado, verde azulado.
Suas frases são aquelas mesmas, as já feitas
feitas sobre temas que depois vemos que são somente tolos, muito tolos...






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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Olhar ao mar

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Fugindo daquele botequim,
chega em casa.
Senta e se apóia na mesa em frente ao móvel de fórmica azul.
Em cima dele uma garrafa de água divide espaço com a de pinga.

Cheiro recente a sépia.
Aquela cigana bela, olhos capitunescos indecisos.
João busca em terras quentes e distantes uma explicação para a enigmática Clara Folclórica Nunes.

O manto de medo se mistura com o manto do mar, de onde emerge o veleiro que agora vai longe, longe, até se perder da vista de casais apaixonados.

Fugiram por não terem medo. Medraram por não querer fugir.



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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Bad timing

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Tarde da noite e a lua tá alta e cheia. Com um brilho macio. Provocando um olhar roxo viciante. Olhar que é alternado entre a janela da sala e a janela do computador.
Era Windows 98 e a internet entrou de vez na vida de todos. Por isso o hábito dos longos papos em chats era ainda escasso, gerando uma frustração infantil mesmo em um menino de 22 anos que precisava conversar com ela.
Ele simplesmente PRECISAVA.

Naquela noite eles tiveram coragem de se declarar um ao outro, de ver que realmente aquilo que ele sentia não era uma via de mão única. E justo quando estavam no auge da conversa, a conexão discada falhou.

E a janelinha do ICQ não piscava mais.

Ela não voltaria?!?
O que mais o afligia era o que fazer com aquilo tudo. Ambos eram comprometidos. Namoros de faculdade, quando as relações começam a ficar mais sérias.
Mas foram amigos por tanto tempo, e nada tinha acontecido. Tanta chance tiveram de ver como era o gosto da boca e do lábio, de sentir cheiro de nuca e olhar sem medo...

"Deus é um piadista, e ele deve estar rindo da sua cara agora", pensou.

De repente começou a tocar no winamp aquela música breguinha do Dire Straits. Recentemente a letra tinha chamado sua atenção quando a escutou em um álbum ao vivo do grupo. Parecia que Mark Knopfler tinha vivido a mesma coisa. O mesmo maldito bad timing...


A música tem 8 minutos e 17 segundos. Se "Dri_82" não aparecer até a canção acabar ele jura que iria embora.

6´22´´
...
4´38´´
...
1´09´´

...

Ah....
Não custa deixar tocar mais uma vez, vai... Essa lua, nesse momento cheirando a névoa, por mais melancólico que seja, vale a pena.

Com sua licença, o primeiro do blog

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Imagina que tem uma piscina lá fora, mas a água está parada...
É tarde da noite e não faz calor. Sua função é refletir a luz e isso já basta.

É uma noite de gala. Todos bem vestidos (a banda inclusive). Smoking geral. Acho que o cantor usa camurça. Fica bem, combina com a gravata e os olhos escurecidos pelos cílios grossos (os maldosos pensam que ele passa rímel).

A banda se mantém sentada e ele de pé em frente, postura ereta, o microfone como uma betoneira.
É um soldado.
Quando ginga, se mistura à banda ao fundo do palco.
O solo de guitarra me faz voltar a atenção para os pés do guitarrista. Belos sapatos brilhantes apoiados em um amplificador...





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