quarta-feira, 2 de junho de 2010

Bad timing

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Tarde da noite e a lua tá alta e cheia. Com um brilho macio. Provocando um olhar roxo viciante. Olhar que é alternado entre a janela da sala e a janela do computador.
Era Windows 98 e a internet entrou de vez na vida de todos. Por isso o hábito dos longos papos em chats era ainda escasso, gerando uma frustração infantil mesmo em um menino de 22 anos que precisava conversar com ela.
Ele simplesmente PRECISAVA.

Naquela noite eles tiveram coragem de se declarar um ao outro, de ver que realmente aquilo que ele sentia não era uma via de mão única. E justo quando estavam no auge da conversa, a conexão discada falhou.

E a janelinha do ICQ não piscava mais.

Ela não voltaria?!?
O que mais o afligia era o que fazer com aquilo tudo. Ambos eram comprometidos. Namoros de faculdade, quando as relações começam a ficar mais sérias.
Mas foram amigos por tanto tempo, e nada tinha acontecido. Tanta chance tiveram de ver como era o gosto da boca e do lábio, de sentir cheiro de nuca e olhar sem medo...

"Deus é um piadista, e ele deve estar rindo da sua cara agora", pensou.

De repente começou a tocar no winamp aquela música breguinha do Dire Straits. Recentemente a letra tinha chamado sua atenção quando a escutou em um álbum ao vivo do grupo. Parecia que Mark Knopfler tinha vivido a mesma coisa. O mesmo maldito bad timing...


A música tem 8 minutos e 17 segundos. Se "Dri_82" não aparecer até a canção acabar ele jura que iria embora.

6´22´´
...
4´38´´
...
1´09´´

...

Ah....
Não custa deixar tocar mais uma vez, vai... Essa lua, nesse momento cheirando a névoa, por mais melancólico que seja, vale a pena.

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